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13.1.18

Poesia viva

Inverno 

Conheço pessoas que dizem que gostam do inverno, gostam do frio, de por vestes quentes e pesadas. Eu, não. 
Eu gosto do calor, de pouca roupa, sou pequena de mais para ter muita roupa em volta. 

São 9 da manhã e vamso atravessar umas quantas estradas aqui na França na zona mais fresca e sim eu gosto do Inverno e consigo, hoje, explicar porquê. 

A música de facto é algo tão sublime e maior que nós... 

As paisagens são verdes, daqueles verdes que vivem deste frio e dela, da humidade e por isso sao um verdes vida, fortes, intensos. Há casas meio desbotadas naqueles tons pastel que eu amo, delicados, elegantes, com madeiras molhadas cheias de personalidade. Há caminhos sem fim de verdes. Estes verdes!
Tenho uns phones nos ouvidos e pus a tocar “ spiegel im spiegel “ e tudo faz tanto, mas tanto, sentido.
Lembro-me do meu avô.
Hoje lembro muito o meu avô. 
Estás cores fazem-me lembrar o meu Minho. O meu início.
Lembro-me de tentar conseguir ficar só com o orvalho que ficava nas folhas de manhã e de ficar com as mãos doridas de geladas de tanto tentar. 
Lembro-me de ver da janela do meu quarto o nevoeiro a tapar a minha escola enquanto fazia corações no vidro, ainda os faço.... aquele cheiro, ai aquele cheiro de orvalho com lareiras desligadas, de fumar sem cigarros e ficar a ver o fumo imaginário sair da boca e ser uma diversão solitária. 
Sai de casa bem cedo para ir para o ciclo e ficar com os olhos em vidro do frio cortante. 
Tudo me parece romântico agora.
Caramba a vida sim é muito romântica.
São os meus olhos que talvez tenham ficado de vidro. 
Os músicos falam e desconcentram-me a escrita. Sou fácil de perder a concentração talvez pela fragilidade das coisas que me prendem a atenção. Às vezes tenho de clfazee força a cerrar os olhos para conseguir ir as imagens, aquelas! 
Faço corações na janela e olho.
Tenho vontade de chorar pela beleza disto tudo mas não me deixo se não os meninos ficam preocupados.
Às vezes vou fazendo storys no instagram que sempre fazem parte da coisa mas não fica lá tudo. Não da! Não consigo filmar isto! 
Lembro-me da minha irma Diana a esfregar as mãos e a soprar nelas. 
Lembro-me de ter a Rita ao colo a Sara na mão e a Diana a ajeitar as luvas do Cristiano e do Ivo que dizia que não tinha frio, nunca! 
Lembro que gostava de ter uma lareira.
Lembro da história da menina dos fósforos que sempre me emocionou porque tem esta coisa do inverno, tanto de lindo e delicado como de duro e impiedoso.
E as lágrimas já me correm... 
Às vezes pergunto-me, muitas vezes na verdade se as pessoas olham assim. 
Sinto-me tão viva! 
Sinto os meus sentidos todos acordados.
É uma forma de poesia física.
É poesia com vida, sei lá! 
E penso no meu avô e o quanto eu não dava para falar com ele só mais uns minutos.



9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Andreia Mafra13/1/18

    Sempre simples sempre bela! ❤️

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  3. Anónimo13/1/18

    Sublime!

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  4. Um beijinho no coração linda Gisela! ❤

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  5. Impressionante como consegues escolher as palavras certas e q escavam memórias tão iguais às minhas..... 👏🏼😚

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  6. A vida é tão, mas tão maior que nós! Nós é que perdemos o sentido do encanto e perdemos a capacidade de estar despertos, com os sentidos todos activos. Mesmo num ambiente citadino onde moro, essa força está lá, nos olhos das pessoas quando estão apaixonadas, no sorriso das crianças quando brincam, nos abraços, nos poemas, nas canções. A poesia da vida... mas a verdadeira poesia é sempre viva e sempre intensa e sempre verdadeira. E a vida, mesmo que seja sem palavras, é sempre poética, musical, erótica, romântica naquele romantismo que o Chopin ou o Schumann tão bem expressavam.

    Obrigado por este texto maravilhoso e espero que o concerto tenha corrido super bem. A paisagem francesa não me consegue evocar Arvo Part, mas o meu querido Satie ou o Debussy. Ou os lied do Schubert. Já estou a delirar. Sorry.

    Beijos e tudo de bom!

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  7. Querida Gisela João!

    Meu nome é Marcelo, tenho 42 anos e sou da cidade de Santa Cruz do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

    Estou vivendo um momento fantástico em minha vida, onde somente coisas boas chegam a mim... Na virada do ano resolvi pedir a Deus apenas isso, que só colocasse pessoas boas no meu caminho... E a primeira que me veio em 2018 foi VOCÊ! Através da música... Ao ouvir a sua voz o meu coração parou de funcionar por alguns segundos de tanta emoção... A VOZ MAIS LINDA DO MUNDO!!!

    Desde então não consigo mais parar de ouvir suas canções...Me identifico muito com você, por valorizar a família e ser uma pessoa tão verdadeira.

    Meu avô sempre me dizia... "Seja humilde e tente sempre fazer amizades com pessoas mais inteligentes que você."

    Enfim, se eu receber um simples olá de você é capaz de meu coração parar de bater novamente.

    Gisela, desejo muita saúde e tudo de bom para você...
    Um grande abraço de quem lhe admira muito!





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  8. Olá querida Gisela João!

    Muito bom colocar os fones, fechar os olhos e me arrepiar ouvindo você cantar...
    Malhões e vira...Labirinto Ou Não Foi Nada... As Rosas Não Falam...
    Meu Amigo Está Longe...Todas! Até Hallelujah de Leonard Cohen você canta!!!

    Meus amigos não entendem porque troquei o blues e o rock pelo Fado...
    Agora ouço músicas de Gisela João com minha mãe de 71 aninhos hahahaha
    Ela amou o seu jeitinho nos vídeos de Malhões e Vira e o Senhor Extraterrestre.

    PESSOAS QUE SE ARREPIAM COM MÚSICA TÊM CÉREBRO ESPECIAL!

    Segundo pesquisa...Pessoas que se arrepiam com música tem cérebro especial!
    Cientistas descrevem o arrepio enquanto se ouve música como "orgasmo na pele". O motivo é simples: a reação biológica que temos nessa situação é semelhante à de um orgasmo.
    Não estamos falando da questão sexual, mas como as substâncias químicas em nosso corpo reagem a situações do tipo. Uma dose de dopamina percorre o corpo em momentos de prazer, seja quando ouvimos uma boa música, fazemos sexo ou comemos.

    Obrigado pela boa música Gisela João... A MELHOR VOZ DO MUNDO!

    Beijinhos e tudo de bom!

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